quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Livro escrito por Pajés Huni Kuin do Jordão é finalista do Prêmio Jabuti deste ano

Por Leandro Altherman


O livro Una Isi Kayawá descreve tratamentos e curas tradicionais utilizados pelo povo Huni Kuin do rio Jordão

Una Isi Kaiawá – O Livro da Cura Huni Kuin é um dos dez finalistas do Prêmio Jabuti deste ano, na categoria Ciências da Natureza, Meio Ambiente e Matemática.
Una Isi Kayawa
Processo de criação foi coletivo e os direitos autorais são compartilhados entre os muitos autores. Foto: Centro Yachak
O livro descreve tratamentos e curas tradicionais utilizados pelo povo Huni Kuin do rio Jordão, onde estão catalogadas 109 plantas e suas diferentes formas de utilização. A catalogação das plantas seguiu a sistematização do conhecimento segundo os próprios pajés Huni Kuin, de acordo com a sua nomenclatura tradicional e divisões por famílias e grupos.
Escrito em parceria com o Jardim Botânico do Rio de janeiro, o livro traz também a nomenclatura científica das plantas.
Pajé Agostinho
Livro foi um esforço coletivo envolvendo os pajés Huni Kuin do Jordão, o Jardim Botânico e a Editora Dantes
A autoria do livro é dos pajés Huni Kuin do rio Jordão que durante anos, sistematizaram as informações tradicionais que posteriormente foram reunidas no livro. Os organizadores são o pajé Agostinho Iká Muru, do Jordão e Alexandre Quinet, taxonomista do Jardim Botânico, editado pela Dantes Editora.
Considerado uma iniciativa pioneira de diálogo entre os saberes tradicionais e científico, a indicação do livro como finalista do Prêmio Jabuti foi recebida com entusiasmo por pela editora Anna Dantes, da Dantes Editora.
“O livro não tem fins lucrativos, trata-se muito mais de um exercício de coletividade”, explica.
Os dez por cento referentes aos direitos autorais do livro são repartidos com os indígenas que de alguma maneira, trabalharam no processo de edição.
Fonte “Hatxa Kuin”
Uma das particularidades do livro é a profusão de detalhes em “kenê” – desenhos geométricos tradicionais que configuram uma forma de linguagem cultural muito presente na cultura e na arte huni kuin.
Anna Dantes explica que a editora criou uma fonte própria para a edição do livro, baseada na forma com que os próprios pajés e professores huni kuin escrevem em seus cadernos de anotações. A fonte foi batizada de fonteHatxa Kuin palavra que designa a língua Huni Kuin.
Planta Mestra
Um dos pontos altos do livro Una Isi Kayawá, é que não se trata de um simples catálogo de plantas medicinais, e sim, da apresentação de um sistema de tratamento próprio, onde estão presentes, as tradicionais infusões de plantas medicinais, mas também o uso na forma de colírio, as defumações, os sopros, o rapé e os cantos que fazem parte desta medicina.
Um dos fundamentos básicos do sistema de medicina tradicional nativa é que uma planta não se resume a ideia reducionista de um princípio ativo que possa ser isolado e patenteado conforme a vontade e o desejo da ciência.
Parque Lage
Para o lançamento foi construída uma Oca no Parque Lage, Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Foto: Agência O Globo
A concepção indígena trabalha com a possibilidade de uma planta inclusive ser uma “professora”, ou seja, ela própria, indicar ao pajé, qual o melhor caminho de cura para determinado paciente.

Muitos indígenas se empenharam no projeto
“Não é apenas um princípio ativo, mas sim, um poder, uma inteligência, que opera junto com o planeta para a obtenção da cura”, nos conta Anna.
“O maior resultado do livro não é o financeiro, mas sim o entendimento de que existe outra forma de cura que envolve a espiritualidade, e o reconhecimento de uma matriz de pensamento indígena que tem a generosidade de compartilhar este conhecimento com todos nós”, conclui.
O resultado do Prêmio Jabuti será conhecido no dia 19 de novembro.
Por Leandro Altheman – Juruá On Line

Plantas Medicinais Mineiras



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Justiça brasileira legaliza maconha para uso medicinal

Publicado por Pedro Magalhães Ganem - 1 dia atrás no jusbrasil.com.br
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BOMBA Justia brasileira legaliza maconha para uso medicinal
Decisão de ontem da Justiça Federal do DF deu prazo de dez dias para a Agência de Vigilância Sanitária, que regula os medicamentos no país, retirar o THC da lista negra das substâncias proibidas. Isso já foi feito com o Canabidiol (CBD), em janeiro de 2015, por iniciativa da própria Anvisa. Mas o THC, princípio ativo responsável pelo barato da maconha, continua banido.
A outra novidade é que, segundo a sentença, estão autorizadas a prescrição e a importação de Cannabis sativa L. “Agora, um médico pode prescrever a planta in natura“, diz Emílio Figueiredo, consultor jurídico do Growroom, associação que defende o cultivo para uso pessoal.
A decisão é uma tutela antecipada: ou seja, o juiz ainda não proferiu sua decisão final sobre todos os pontos da ação. Mas antecipou a decisão sobre pontos que considera urgentes. Que são:
  • Reclassificar o THC. “Transferir, em dez dias, o THC da lista F2 do anexo da lei de drogas, que contém as substâncias psicoativas banidas, para uma lista de substâncias sujeitas à notificação de receita” – ou seja, ele passa a ser autorizado mediante prescrição médica.
  • Mudar, em dez dias, a portaria 344/98 para “permitir, por ora, a importação, exclusivamente para fins medicinais, de medicamentos e produtos que possuam como princípios ativos os componentes THC (TETRAHIDROCANNABINOL) e CDB (CANNABIDIOL), mediante apresentação de prescrição médica e assinatura de termo de esclarecimento e responsabilidade pelo paciente”.
  • Permitir a pesquisa e a prescrição “da Cannabis sativa L. E de quaisquer outras espécies ou variedades de cannabis, bem como dos produtos obtidos a partir destas plantas, desde que haja prévia notificação à ANVISA e ao Ministério da Saúde”.
A ação do MPF também pediu a autorização de importação de sementes e do cultivo pessoal para uso medicinal. Essas demandas estão entre as que ainda não foram julgadas pelo juiz Marcelo Rebello, da 16a Vara de Justiça Federal do DF.
Consultada, a Anvisa disse por meio de sua assessoria de imprensa que ainda não sabe se vai recorrer. “Não sabemos ainda. A Diretoria vai avaliar os efeitos da decisão e possíveis ações da Anvisa. Não temos uma resposta, até porque na verdade ainda não fomos sequer notificados, embora tenhamos acesso à decisão na internet.”
Em janeiro, quando a Anvisa reclassificou o CBD, o então presidente da Anvisa Jaime Oliveira disse a este blog que “Sem dúvida nenhuma, a situação do THC tem que ser explorada e analisada“.